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“Situação na Venezuela não pode ser mais grave”, diz Humans Rights Watch

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Os venezuelanos estão “totalmente indefesos”.

“É essencial que a comunidade regional atue rapidamente para evitar a violência e maiores abusos do que os que já sofre hoje a grande maioria dos cidadãos do país”

O diretor para as Américas da Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco, considerou hoje (19) que a situação na Venezuela é muito grave, e cobrou uma atitudo “clara e firma” da comunidade internacional.

“A situação na Venezuela não pode ser mais grave. Assistimos a uma situação realmente de crise. Creio que os fatos falam por si e exigem uma atitude clara e firme por parte da comunidade internacional”,

disse ele a jornalistas em Bogotá.

Vivanco disse que os venezuelanos estão “totalmente indefesos”.

“É essencial que a comunidade regional atue rapidamente para evitar a violência e maiores abusos do que os que já sofre hoje a grande maioria dos cidadãos do país”,

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disse ele.

A Venezuela vive uma crise política desde o início de 2014 acentuada pela vitória da oposição nas eleições legislativas de dezembro de 2015, que pretende organizar um referendo para destituir o presidente Nicolás Maduro.

O país enfrenta ainda graves problemas econômicos, levando o governo a declarar oficialmente no dia 16 o “estado de exceção e de emergência econômica”, que aumenta os seus poderes sobre a segurança, distribuição de alimentos e energia.

A situação dos venezuelanos.

A onda de protestos aumenta e os venezuelanos estão divididos. Os confrontos entre os opositores e os apoiadores do governo já provocaram vários mortos e dezenas de feridos. Há pouco mais de uma semana, os estudantes e a oposição, em geral, iniciaram os protestos contra a política econômica de Maduro e a insegurança crescente. O presidente reforçou a segurança e prometeu que não vai facilitar nenhum golpe de Estado, “ja ouvi isso em algum lugar”.

Um ano depois da morte de Hugo Chavez, Nicolas Maduro tem cada vez mais dificuldades em conter a zona de turbulência que atravessa o país e assume que está em guerra (econômica) contra o setor privado, ou seja, a oposição.
As grandes empresas e os empresarios são acusados de inflacionar os preços por falta de patriotismo econômico.

O governo aprovou uma lei que proíbe margens de lucro superiores a 30%. O exército vai às lojas fiscalizar os preços. A inflação subiu para 55%, principalmente por causa das taxas de câmbio. A taxa oficial de câmbio do dólar é 6,3 bolivares, mas no mercado negro o dólar atinge 70 bolivares.
A Venezuela está a vivendo cada vez mais da exportação do petróleo, que aumentou 20% em 17 anos.

Corrupção
Para completar o quadro, o país é considerado um dos mais corruptos do mundo.
Uma corrupção que o governo atribui à “burguesia parasitária e ao capitalismo especulativo”(os coxinhas de lá). Mas desde o tempo de Chavez, que todas as regiões foram entregues a governantes da família Chavez e amigos, como acusa a oposição.

A situação econômica gera penúria de bens de consumo corrente. A Venezuela importa praticamente tudo, nomeadamente bens alimentares.
Há falta de produtos básicos nas prateleiras dos supermercados.
Outra praga venezuelana é o aumento da criminalidade. O governo não divulgou números, entre 2006 e 2012, mas os cálculos ultrapassam em muito os dados do Observatório da Venezuela para a Violência.
Em 1998 registraram-se 4.500 homicídios. Em 2012 mais de 20 mil, ou seja, 73 mortes por 100 mil habitantes.
A Venezuela tornou-se um dos países com uma das mais altas taxas de criminalidade do mundo. Circulam cerca de 3 a 18 milhões de armas, mas apenas alguns milhares estão legalizadas.

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