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Hospitais alertam serviços de saúde para diagnóstico do sarampo

Ainda há alto risco de retorno da poliomielite em pelo menos 312 cidades brasileiras. Estas doenças estão sendo reintroduzidas no Brasil com a entrada de Venezuelanos que não recebiam vacinação em seu pais.

A FEHOESP-Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo está iniciando uma campanha de alerta aos 56.224 serviços privados de saúde no Estado, entre 511 hospitais, 36.815 clínicas, 959 casas de repouso e 2.121 laboratórios e demais serviços para o diagnóstico rápido e preciso do sarampo, orientando sobre os tratamentos adequados e alertando para a necessidade de notificação imediata ao Ministério da Saúde. Em Ribeirão Preto (SP), o SINDRIBEIRÃO-Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de Ribeirão Preto e Região é a entidade que representa a Federação.

Segundo o médico Luiz Fernando Ferrari Neto, diretor da FEHOESP, torna-se de fundamental importância o diagnóstico rápido e preciso da doença e a notificação para as autoridades de saúde para que possam ser tomadas medidas sanitárias e de saúde pública. “Os médicos mais novos não conhecem as doenças erradicadas há muitos anos no país. Daí a importância do alerta”.

A campanha está disponível no portal da entidade – www.fehoesp360.org.br, que também está enviando comunicados através de seus sindicatos filiados e escritórios regionais em todo o interior paulista solicitando a adesão de seus serviços de saúde em todo o Estado.

Alerta para a vacinação

O setor de imunização no Brasil enfrenta um período de grandes desafios. O país sofre com um surto de febre amarela silvestre, voltou a registrar casos de sarampo e segue lutando para reverter o baixo índice de adesão às vacinas.

Luiz defende que os serviços de saúde devem unir esforços aos do poder público para sensibilizar e alertar a população para a necessidade da vacinação. “Diagnóstico e tratamento são importantes, mas o primordial é a vacinação”, alerta.

Os índices da cobertura vacinal de bebês e crianças atingiram o nível mais baixo do país nos últimos 16 anos. Levantamento do Ministério da Saúde identificou que todas as vacinas indicadas para crianças com menos de um ano não alcançaram a meta, ficando entre 70,7% e 83,9%, enquanto a meta do Plano Nacional de Imunizações (PNI) era imunizar 95% das crianças contra a poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, varicela, rotavírus e meningite.

Como diagnosticar e tratar

O alerta da Federação pede atenção aos serviços de saúde para os sintomas típicos do sarampo. Segundo o professor e infectologista Roberto Focaccia, autor de diversos tratados de epidemiologia, a identificação do sarampo é muito fácil porque é uma doença que compromete todas as mucosas do organismo.

Na fase prodrômica, que antecede o aparecimento das lesões de pele, todas as mucosas são afetadas, surgindo manchas brancas na mucosa da boca chamadas de Lesão de Koplik; conjuntivite, pela lesão das mucosas dos olhos; tosse, por conta da lesão das mucosas dos brônquios; vômito e diarreia, devido à inflamação das mucosas do estômago e intestino; dor de ouvido, em decorrência da lesão das mucosas do ouvido; lesões nas mucosas da vagina com sangramento, nas meninas, e sangramento na uretra, nos meninos. Os sintomas são acompanhados de febre alta acima de 38,5°C, prostração, desidratação, tosse intensa e mais raramente insuficiência respiratória, choque ou encefalite.

Nas fases de estado, o exantema (erupção cutânea que ocorre em doença aguda provocada por vírus) é muito característico porque preserva algumas áreas dando um aspecto rendilhado. Não existe tratamento específico para o sarampo. É recomendável a administração da vitamina A em crianças acometidas pela doença, para reduzir a ocorrência de casos graves e fatais. O tratamento profilático com antibiótico é contraindicado. Para os casos sem complicação, é recomendável manter a hidratação, o suporte nutricional e diminuir a hipertermia. Nesse período, deve-se evitar o contato com outras pessoas, pois o sarampo é altamente contagioso e transmitido por partículas respiratórias e nem sempre quem transmite tem sintomas.

O surto do sarampo no país

O Brasil enfrenta dois surtos da doença: em Roraima e no Amazonas com 995 casos confirmados e 1500 em investigação, incluindo duas mortes. E há casos confirmados em outros quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rondônia. Em 2017, 20 estados e o Distrito Federal não alcançaram a meta de imunizar 95% das crianças. Os piores índices são no Pará, São Paulo e Acre.

Orientação do Ministério da Saúde é que quem nunca tomou a vacina deve tomá-la agora. Pessoas com até 29 anos devem tomar duas doses; de 30 a 49 anos, uma dose basta e quem tem mais de 50 anos não precisa se vacinar, pois provavelmente já teve contato com a doença.

A volta da poliomielite

A FEHOESP está alertando também os serviços de saúde sobre informe do Ministério da Saúde de que há alto risco de retorno da poliomielite em pelo menos 312 cidades brasileiras. A doença está erradicada no continente desde 1994, após décadas de diagnósticos de milhares de casos de paralisia infantil.

Poliomielite ou paralisia infantil é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus (sorotipos 1, 2 e 3) que pode infectar crianças e adultos por via fecal-oral; ou seja, através do contato direto com as fezes ou com secreções expelidas pela boca das pessoas infectadas e pode provocar ou não paralisia.

A poliomielite foi praticamente erradicada nas áreas desenvolvidas do mundo com a vacinação sistemática das crianças, mas o vírus ainda está ativo em alguns países da África, Ásia e pode estar no Brasil. Para evitar que seja reintroduzida nas regiões que não registram mais casos da doença, as campanhas de imunização devem ser repetidas todos os anos.

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