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Presidente argentino vai estatizar grupo agroexportador

A intervenção do Estado visa conter uma inflação projetada em 60% neste ano. No comando de um comunista Argentina caminha em direção a Venezuela.

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O Presidente argentino anunciou que a Vicentín, empresa líder do setor agroexportador, atualmente em concurso de credores, será expropriada pelo Estado que passará a intervir nos preços dos alimentos e no mercado de câmbio.

Vamos assinar um decreto que intervém no grupo, anunciou o Presidente argentino na Casa Rosada, sede do Governo.

Em paralelo, Alberto Fernández antecipou que enviará um projeto de lei ao Parlamento, onde o Governo tem a maioria, para expropriar o grupo Vicentín.

“Uma expropriação para que o Estado nacional assuma todos os ativos do grupo que formarão parte de um fundo a ser gerido pela YPF Agro”, completou o Presidente.

A petrolífera argentina Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), outra empresa expropriada em 2009 pela então Presidente Cristina Kirchner, hoje vice-presidente, tem um braço agropecuário, a YPF Agro.

“É uma empresa que está a caminho da quebra. Não estamos a expropriar uma empresa próspera”, defendeu-se Alberto Fernández, prevendo a inevitável comparação com as expropriações na Venezuela determinadas pelo então presidente Hugo Chávez.

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“No Parlamento terão a oportunidade de nos compararem com a Venezuela ou com o inferno”, previu o Presidente.

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Assim, o Estado argentino passará a controlar uma empresa de referência “tanto no mercado de grãos quanto no mercado de câmbio”, indicou o ministro do Desenvolvimento Produtivo, Matías Kulfas, ao lado do Presidente argentino, durante o anúncio.

A Argentina tem na produção agropecuária a sua maior fonte de divisas, sendo esse segmento do comércio exterior aquele que orienta o mercado de câmbios. Atualmente o país está fora dos mercado internacional de crédito devido ao seu elevado défice fiscal combinado com um ‘default’ da dívida em processo de reestruturação.

Ao mesmo tempo, a intervenção do Estado na formação de preços visa conter uma inflação projetada em 60% neste ano. O aumento de preços tem relação com a desvalorização acelerada do peso argentino (a moeda do país) devido à falta de reservas do país. O Governo incide assim num mercado que terá alta procura mundial, sobretudo porque a Argentina é dos maiores exportadores de alimentos para o mundo.

“É uma decisão estratégica para a economia nacional. É uma empresa que, num momento pós-pandemia, tem uma relevância singular. Favorece à Argentina ter uma soberania alimentar”, apontou Fernández.

A empresa é líder na exportação de óleos e farinhas e a sexta maior em todo o mercado agropecuário.

A expropriação da empresa foi duramente criticada por atores económicos e por especialistas do setor. O ex-ministro da agroindústria, Luis Miguel Etchevehere, recordou que “quando o Estado administra empresas conduz a fracassos económicos e a fonte de corrupção”.

“Não é função do Estado intervir nem expropriar empresas. Quando uma empresa entra em concurso, outras interessadas compram os seus ativos e pagam os credores. Se as coisas começarem a ter preço político, seremos comparáveis com a Venezuela. Quem vai investir e arriscar se terá o Estado a impor preços?”, questionou.

Outro ex-ministro da Agroindústria, Ricardo Buryaile, vê risco para o mercado quando o Estado exerce o papel de empresário.

“Preocupa-me essa visão porque o Estado será empresário para incidir nos preços num mercado que hoje tem transparência internacional. E sabemos que o Estado nunca foi transparente nessas intervenções”, advertiu.

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Redação
JORNALISTA AIELLO – DRT 3895/SP Em Ribeirão – mais de 10 anos tocando em feridas que a velha mídia esconde.
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