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Pecuária 4.0 chegou para ficar

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A convergência integral de tecnologias entre os mundos físico, digital e biológico será a quarta revolução industrial. A chamada indústria 4.0 dá seus primeiros passos e já começa a modificar os processos produtivos, etapas da cadeia de valor e de distribuição ao redor do planeta. Ela faz uso da inteligência artificial, robótica, big data, manufatura aditiva, biologia sintética e sistemas ciber-físicos.

São tecnologias novas, mas que não são totalmente desconhecidas do público. Inteligência artificial, por exemplo, está presente nos novos softwares e aplicativos, inclusive no Facebook. Manufatura aditiva é o mesmo que impressão 3D. Internet das coisas é conectar objetos à internet, como as novas geladeiras, aparelhos de ar condicionado e até fechaduras.

No campo, onde a tecnologia costuma demorar um pouco mais para desembarcar, os pecuaristas já estão se mexendo. Ao lado de consultores e de gestores de grandes fazendas do país, acompanhei de perto o desenvolvimento e a evolução de novas tecnologias para a pecuária. Há dez anos atrás, o desafio era a coleta precisa de dados no campo. Para tornar isso possível, foi necessário estabelecer novas rotinas operacionais, resolver problemas logísticos de sincronização de dados, identificar e adaptar hardwares capazes de resistir às condições do campo e, principalmente, capacitar a mão-de-obra que – apesar de experiente no manejo – nunca tinha teclado num computador. O Lançamento do TGC (Tecnologia de Gestão de Confinamento), em 2007, foi um marco do início da inovação no setor. O controle preciso dos dados reduziu os riscos da operação, melhorou a rotina de trabalho e aumentou a eficiência dos processos. Até hoje o software é o mais utilizado pelos confinamentos do Brasil e processa mais 3,5 milhões de cabeças anualmente.

Desde o lançamento do TGC, a GA vem inovando com o desenvolvimento de softwares e serviços que contribuíram para impulsionar a escalada tecnológica da pecuária no Brasil e abrir a porteira do mercado para a chamada Pecuária 4.0. Hoje, já existem propriedades rurais investindo nessa tendência e que começam a apresentar números impressionantes.

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Uma das grandes referências em confinamento no Brasil, a Agropastoril Campanelli, passou por uma rápida evolução da sua estrutura e, principalmente, da sua gestão da informação sob a direção do aficionado por tecnologia e inovação Victor Campanelli.

A partir de 2015, a empresa familiar começou um processo de implantação de uma solução mais robusta e integrada para gestão do confinamento incluindo a rastreabilidade do rebanho, a automação da fabricação e o fornecimento da ração com leitura eletrônica dos cochos. Essas soluções tornaram a presença de chips, leitores de código de barras, tags de RFID, painéis de led, tabletes e internet comuns no ambiente rural e parte da rotina dos funcionários. A coleta e processamento preciso dos dados trouxe outra inovação para o campo: o Business Intelligence, mais conhecido como BI ou painel de gestão à vista. Essa ferramenta transforma dados brutos em informações significativas e úteis para a análise do negócio e vem sendo estratégica na identificação de oportunidades. O uso dessas tecnologias permitiu ao pecuarista aumentar sua rentabilidade ao ganhar eficiência na operação e escala de produção. Foi exatamente, o que aconteceu com a Agropastoril Paschoal Campanelli S/A, com sede em Bebedouro (SP) de onde saem para o abate, em média, 55 mil bois por ano e que faturou o total de R$ 250 milhões em 2016.

E como inovação e revolução são sinônimos, a Pecuária 4.0 se consolida no surgimento de novas tecnologias. Para ter mais controle dos custos, otimizar a área e os equipamentos e melhorar as margens de lucro, os empresários rurais têm diversificado o negócio integrando os diferentes sistemas produtivos numa mesma fazenda. Para isso, precisam gerenciar desde a estação de monta até o abate passando pela desmama, evolução do rebanho, nutrição e tudo isso através das pessoas. Controlar profundamente tantos manejos e processos diferentes com centros de custo e oportunidades de retorno distintos, é o grande desafio desse modelo.

Percebendo essa tendência de evolução do mercado, a GA iniciou em 2016 o desenvolvimento de uma plataforma para atender as necessidades de ponta a ponta de um negócio completo. É a tecnologia da Pecuária 4.0 na sua versão 360º. O Ecossistema GA, que será lançado para o mercado oficialmente em outubro, engloba a gestão de cria, recria e engorda a pasto e TIP já conta com o processamento de mais de 450 mil cabeças em IATF; mais de 500 mil cabeças de recria contabilizando mais de 2,7 milhões de manejos operacionais. O Eco é uma plataforma híbrida de alta performance que efetua a coleta de dados off-line em campo e faz a sincronização automática de milhares de informações no banco de dados online na sede em poucos minutos.

Desenvolvida por uma equipe multidisciplinar de especialistas na área agrária, em engenharia mecatrônica, estatística e contabilidade, o Ecossistema GA compreende linguagens de programação avançadas, integrado a diferentes hardwares, compatível com sistemas de BI e ERP, com mais de 250 relatórios de análises de dados, além de um painel com gráficos gerados em tempo real dos indicadores escolhidos pelo gestor.

A Pecuária 4.0 chegou para ficar. E não estou falando de “virtualidades” que não materializam resultados e sim de tecnologias fáceis de operar e acessíveis financeiramente aos pequenos, médios e grandes produtores.

Quem estiver preparado para fazer a gestão da informação da maneira correta vai sair na frente de um setor que deve ter um aumento de 45 milhões de toneladas anuais no consumo de carne até 2026, segundo o Rabobank. Por isso, ter em mãos softwares modernos de controle de gado que ofereçam segurança na hora da tomada de decisões com foco na eficiência e rentabilidade do negócio hoje terá o futuro da atividade garantido.

 

 

Paulo Marcelo Dias, diretor de Inovação e Desenvolvimento da Gestão Agropecuária (GA).

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