A indústria da multa volta ao debate após a Prefeitura de Ribeirão Preto abrir licitação de R$ 180,8 milhões para monitoramento por câmeras inteligentes. O projeto será financiado com recursos da Contribuição de Iluminação Pública (CIP).
- Contrato pode durar até 10 anos
- Sistema inclui reconhecimento facial e monitoramento semafórico
- Recursos virão da CIP paga na conta de luz
- Projeto foi autorizado pela Câmara em 2025
🚨 Indústria da multa ou modernização urbana?
A Prefeitura de Ribeirão Preto abriu nesta semana uma licitação que pode custar até R$ 180.800.349,80 aos cofres públicos.
O contrato terá vigência inicial de 60 meses e poderá ser prorrogado por até dez anos.
O objetivo oficial é implantar um sistema de monitoramento por câmeras inteligentes em vias públicas, incluindo:
- Reconhecimento facial
- Leitura de dados de veículos
- Monitoramento de cruzamentos semafóricos
- Uso de drones
- Infraestrutura elétrica dedicada
O modelo citado é semelhante ao Smart Sampa, da capital paulista.
Mas a pergunta que surge nas ruas é direta:
Isso é segurança ou ampliação da arrecadação via multa?
💡 Dinheiro da iluminação para fiscalizar trânsito?
O projeto será bancado com recursos da Contribuição de Iluminação Pública (CIP), paga mensalmente pelos moradores na conta de energia.
A cobrança vem discriminada na fatura da CPFL.
Segundo dados da própria prefeitura:
- A CIP arrecada cerca de R$ 7,5 milhões por mês
- R$ 3 milhões vão para pagamento da iluminação pública
- R$ 1,5 milhão financiam PPP com o Consórcio Conecta Ribeirão
- Cerca de R$ 3 milhões sobram mensalmente
Até 2025, esses recursos só poderiam ser usados para iluminação.
Mas, em agosto, a Câmara de Vereadores aprovou projeto enviado pelo prefeito Ricardo Silva (PSD) permitindo que parte do dinheiro seja usada para o sistema de monitoramento.
Mudou-se a regra.
Mudou-se o destino do dinheiro.
A população foi amplamente consultada?
📊 Argumento técnico da prefeitura
O estudo preliminar afirma que o crescimento urbano, o aumento da frota e o adensamento populacional pressionam a infraestrutura viária.
O documento diz que o sistema poderá:
- Detectar alagamentos
- Identificar vandalismo
- Apoiar Defesa Civil
- Dar suporte a grandes eventos
No papel, tudo parece eficiência.
Na prática, o risco é transformar tecnologia em máquina arrecadatória.
📍 Impacto direto para Ribeirão Preto
Ribeirão já enfrenta:
- Problemas de mobilidade
- Falta de investimentos estruturais
- Reclamações sobre radares
Um contrato de quase R$ 200 milhões exige transparência absoluta.
Sem isso, o que deveria ser segurança vira desconfiança.
E quando o cidadão desconfia, a credibilidade pública sofre.
English Summary
Ribeirão Preto has launched a public bidding process worth up to R$180 million to implement an intelligent camera monitoring system funded by the Public Lighting Contribution (CIP). While city officials argue the system will improve urban mobility and safety, critics question whether it could expand traffic fines and increase revenue collection.
Riassunto in Italiano
Il Comune di Ribeirão Preto ha aperto una gara da oltre 180 milioni di reais per installare telecamere intelligenti finanziate tramite la tassa sull’illuminazione pubblica. L’amministrazione parla di sicurezza e mobilità, ma cresce il timore che il sistema possa aumentare le multe ai cittadini.
🌟 Para Pensar
Tecnologia é ferramenta.
Mas ferramenta nas mãos erradas vira instrumento de abuso.
Segurança é dever do Estado.
Arrecadação excessiva é vício administrativo.
O cidadão paga imposto para ter iluminação, mobilidade e proteção — não para sustentar contratos obscuros.
Transparência é o mínimo.
Responsabilidade é obrigação.

