A Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, deu mais um passo em sua transformação cultural ao remover absorventes dos banheiros masculinos em suas unidades nos EUA. A decisão, reportada pelo The New York Times, é parte de um conjunto de mudanças internas que refletem o abandono da cultura “woke” em favor de políticas mais tradicionais e meritocráticas.
Medidas Internas e Reações
Os gerentes de instalações da Meta foram orientados a remover absorventes em escritórios localizados no Vale do Silício, Texas e Nova Iorque. Esses itens eram disponibilizados para funcionários transgêneros e não binários que utilizavam banheiros masculinos.
Essa mudança gerou reações nos bastidores:
- Funcionários LGBTQIA+ expressaram descontentamento nos canais internos da empresa.
- Ao menos um colaborador anunciou sua demissão.
- Outros manifestaram intenção de procurar novos empregos.
Apesar das críticas, a Meta tem seguido adiante com outras medidas, como o encerramento de seu programa de diversidade, equidade e inclusão.
Declarações de Liderança
Joel Kaplan, diretor de assuntos globais da Meta, defendeu as alterações, afirmando que a empresa está comprometida com a meritocracia:
“Isso significa avaliar as pessoas como indivíduos e selecionar pessoas de uma variedade de grupos de candidatos, mas nunca tomar decisões de contratação com base em características protegidas, como raça ou gênero.”
Um Movimento Maior: O Fim da Cultura Woke
A Meta une-se a outras grandes corporações e líderes conservadores em uma reação contra o que chamam de “cultura woke”. Nomes como Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (Tesla e X) e Donald Trump têm adotado posturas que refletem essa mudança cultural.
- Amazon já revisou iniciativas internas consideradas “progressistas”.
- Elon Musk eliminou políticas de diversidade no X (antigo Twitter).
- Donald Trump permanece como símbolo central da luta contra a agenda progressista.
Várias grandes empresas anunciaram recentemente uma mudança em suas políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), muitas vezes associadas à chamada “cultura woke”. Essa tendência tem gerado debates acalorados sobre a direção das políticas corporativas e o papel das empresas na sociedade.
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Algumas das empresas que tomaram essas medidas incluem:
- McDonald’s: A gigante do fast-food anunciou o fim de metas específicas para diversidade em posições de liderança e a descontinuação de um programa que incentivava fornecedores a aumentarem a participação de minorias em cargos de chefia.
- Walmart: A empresa cortou treinamentos sobre equidade racial e financiamento de organizações antirracistas, além de revisar seu apoio a eventos LGBTQ+.
- John Deere: A fabricante de equipamentos agrícolas abandonou o patrocínio a eventos culturais e auditou materiais de treinamento.
- Harley-Davidson: A empresa reduziu investimentos em metas de inclusão.
- Toyota: A montadora japonesa anunciou que não participará mais de eventos relacionados à diversidade, equidade e inclusão.
- Jack Daniel’s e Harley-Davidson: Ambas as empresas interromperam sua participação em iniciativas DEI após pressão de ativistas conservadores.
Por que essas mudanças estão acontecendo?
Existem diversas razões para essa tendência, incluindo:
- Pressão de grupos conservadores: Ativistas conservadores têm pressionado empresas a abandonar políticas que consideram “woke”, ameaçando boicotes e outras ações.
- Crescimento do sentimento anti-woke: Há um crescente sentimento anti-woke em partes da sociedade, que se manifesta em debates políticos e culturais.
- Mudanças no cenário jurídico: Decisões judiciais, como a proibição do uso de ações afirmativas com base em raça nas admissões universitárias, têm influenciado as empresas.
- Considerações estratégicas: Algumas empresas podem estar buscando evitar controvérsias e proteger sua imagem de marca.
As críticas à cultura woke são diversas e abrangentes, muitas vezes polarizando opiniões e gerando debates acalorados. É importante ressaltar que a percepção do que é “woke” varia bastante, e as críticas refletem diferentes pontos de vista.
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As principais críticas à cultura woke podem ser resumidas em alguns pontos:
- Intolerância e Cancelamento: Uma das críticas mais comuns é que a cultura woke, em sua busca por justiça social, pode se tornar intolerante com opiniões divergentes, promovendo o “cancelamento” de pessoas ou ideias que não se alinham com suas perspectivas.
- Polarização e Divisão: A cultura woke é frequentemente acusada de polarizar a sociedade, criando uma divisão entre grupos e dificultando o diálogo construtivo.
- Foco excessivo na identidade: Críticos argumentam que a cultura woke dá ênfase excessiva à identidade individual (raça, gênero, orientação sexual), em detrimento de outros aspectos da identidade humana e de questões mais amplas da sociedade.
- Hipersensibilidade e politicamente correto: A cultura woke é associada a uma hipersensibilidade a determinadas palavras e comportamentos, que são considerados ofensivos ou prejudiciais, levando a um ambiente de autocensura e “politicamente correto”.
- Distanciamento da realidade: Alguns críticos argumentam que a cultura woke está desconectada da realidade da maioria das pessoas, focando em questões minoritárias e ignorando problemas mais urgentes da sociedade.
- Duplos padrões: Outra crítica comum é que a cultura woke aplica padrões morais diferentes para diferentes grupos, o que seria injusto e hipócrita.
- Perda do senso de humor: A cultura woke é frequentemente acusada de ter um senso de humor excessivamente sensível, levando à proibição de piadas e sátiras que poderiam ser consideradas ofensivas.
É importante destacar que estas são apenas algumas das críticas mais comuns à cultura woke, e cada uma delas pode ser interpretada de diferentes maneiras.
O que isso significa para o futuro?
É difícil prever o futuro, mas é provável que o debate sobre as políticas de DEI continue por algum tempo. As empresas precisarão encontrar um equilíbrio entre os interesses de seus diversos stakeholders e as demandas do mercado.
Reflexão Crítica
As decisões da Meta sinalizam uma virada corporativa que desafia as normas progressistas, apostando em valores tradicionais e na meritocracia. No entanto, a exclusão de políticas que atendem minorias pode gerar polarização interna e externa, comprometendo a imagem da empresa em certos mercados.
JORNALISTA AIELLO – Especialista da área da matéria do portal em Ribeirão, o único portal independente da região que não recebe verbas públicas.