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Mesmo em queda, taxas de furtos e roubos de veículos em Ribeirão são as maiores da Região Metropolitana

Estudo realizado pela ACIRP avaliou as cidades entre 2006 e 2017

A ACIRP, por meio do Departamento de Inteligência Competitiva e do Instituto de Economia Maurílio Biagi, realizou uma análise completa dos dados sobre roubos e furtos de veículos, entre 2006 e 2017, nas cidades que compõem a Região Metropolitana de Ribeirão Preto.

A análise aponta que as taxas de roubos e furtos por mil veículos recuaram em Ribeirão Preto desde 2014. Com isso, apesar de ainda possuir os maiores índices da Região Metropolitana, a cidade se aproxima de municípios menores nos números relativos de furtos, que atingiram o menor patamar em dez anos. Porém, com relação aos roubos, os índices ainda estão acima do observado entre 2006 e 2009.

“Os dados sobre furtos e roubos na cidade apresentam aspectos positivos e negativos. Sob uma leitura mais otimista, observa-se queda na ocorrência de ambos os crimes ao longo dos últimos anos, sendo que os furtos apresentam o menor patamar desde o início da série histórica”, explica Gabriel Couto, economista e um dos responsáveis pelo estudo. “Em contrapartida, é possível argumentar que a queda dos roubos parte de um pico considerável ocorrido no início da década, e não foi suficiente para atingir os menores patamares da série, observados entre 2006 e 2009”, destaca o economista.

“Adicionalmente, Ribeirão Preto perde na comparação com cidades próximas, e em algumas ocasiões até mesmo para a média do estado. Em suma, houve certa evolução, mas ainda há espaço para melhorar”, completa Couto.

De acordo com o estudo, os roubos ainda se encontram em patamar elevado apesar da queda recente, sendo ao menos três vezes mais frequentes do que o registrado no grupo de municípios com até 20 mil habitantes, duas vezes maior que no grupo de cidades da regiao metropolitana com população entre 20 a 47 mil habitantes e maior também que nas cidades com mais de 47 mil pessoas. A comparação dos dados de Ribeirão Preto com os de grandes cidades de regiões próximas, como Franca, São Carlos e Araraquara, e com a média do estado mostra que Ribeirão também possui taxas de roubos e furtos superiores.

“A redução de furtos e roubos ainda não é um fenômeno percebido pela população, visto que os números ainda são muito altos, mas é possível que esses dados já estejam sendo considerados pelas seguradoras e que possa refletir em preços menores dos seguros de veículos, sendo melhor para os proprietários, em especial para as empresas que tem frotas”, pontua Eduardo Molina, gestor de Inteligência Competitiva da ACIRP.

Ainda de acordo com a análise, para a maioria dos casos, estes municípios tiveram reduções proporcionalmente maiores nestes tipos de crime em comparação a Ribeirão Preto. Na comparação com a média do estado, Ribeirão também mostra evolução pior no caso dos furtos. Em 2006, o município possuía taxa de furtos bem inferior ao restante do estado, situação que se reverteu em 2016. A taxa de roubos por mil veículos, por outro lado, permaneceu bem abaixo da média estadual.

“Valendo-me de uma metáfora, podemos dizer que o crime é um poliedro, figura geométrica que tem muitas faces. Uma delas é o furto. Outra é o roubo. Quando é de veículos, podemos iniciar a identificação de suas causas porque – ensina-nos a psiquiatria forense, o que define uma cidade é a história de seus crimes. Afinal, como dizia Ítalo Calvino, ‘as cidades, como nossos sonhos, são construídas por desejos e medos’. O preço da insensatez de manter nas ruas mais carros do que estas ruas comportam, já está sendo pago praticamente por todos. Duas modalidades cruéis de pagamento são furto e roubo. Estes, junto com o celular, são – muitas vezes – moeda de troca com droga. Por isso, melhorar a segurança passa necessariamente por uma política de combate ao tráfico de drogas e por investimento em inteligência”, declara Antônio Vicente Golfeto, economista do Instituto de Economia Maurílio Biagi.

“No momento em que se busca acelerar o desenvolvimento econômico de Ribeirão Preto – pelo fato de ser sede de região metropolitana com responsabilidade aumentada na medida em que se buscam soluções compartilhadas – é preciso que fique clara a necessidade de se garantir segurança pública na cidade porque o medo afasta o desenvolvimento econômico. E mais: o submundo do crime somente se contém quando fica sabendo que seu poder de fogo é menor que o da polícia”, finaliza Golfeto.

O estudo completo pode ser acessado no link: https://www.acirp.com.br/media/upload-geral/18-04-10-estudo-veiculos-2018-roubo-e-furto.pdf

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